Meu Diário
04/09/2018 00h40
Autopsicografia

O poeta é um fingidor

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

 

E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

 

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.

 

_____________

by Fernando Pessoa 


Publicado por Luana Sávia Aires em 04/09/2018 às 00h40
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
27/08/2018 03h02
PEQUENAS EPIFANIAS

(Dois ou três almoços, uns silêncios / Fragmentos disso que chamamos de “minha vida”)

Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.

Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de “minha vida”. Outros fragmentos, daquela “outra vida”. De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.

Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.

Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector “Tentação” na cabeça estonteada de encanto: “Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível”. Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.

De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito joias encravadas no dia a dia.

Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.

Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.

_________________ Caio Fernando Abreu 
publicado n'OESP, 22/4/1986. 
Imagem by Pascal Campion

 


Publicado por Luana Sávia Aires em 27/08/2018 às 03h02
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
04/04/2018 00h43
JACK

Quem nunca se identificou ou se imaginou com algum look de Jackie O que atire a primeira pedra. E não adianta fazer beicinho. Pronto. Falei. 
Jacquelinne Lee Bouvier, ou simplesmente Jackie, ensinou o mundo que a construção de um estilo é essencial quando se trata de transmitir credibilidade. Tanto que algumas peças de seu guarda roupa, quer na fase de primeira dama - Lady Like - ou após deixar o posto - Cosmopolita e não datado -, se tornaram símbolos de sofisticação.
Apaixonada por livros e pela cultura francesa – especialmente o século XVIII -, ícone de estilo e dona de uma biografia adornada de polêmicas, amores, muita atitude e inata sofisticação, Jackie Kennedy Onassis foi a própria moda.
Sua personalidade forte e inteligência incontestável, fizeram de Jackie O um mito que inspira a moda e as mulheres até hoje. Kate e Pipa Middleton, Carla Bruni, Michelle Obama, Rainha Letizia da Espanha, Rainha Rania da Jordânia e Melania Trump, são exemplos de mulheres influenciadas por sua onipresente elegância.
Confesso que a fase "novaiorquina" pós primeira dama é a minha preferida, onde visivelmente seus looks urbanos, confortáveis, versáteis e principalmente atemporais cabem todas as mulheres.

Imagem: Google. 


Publicado por Luana Sávia Aires em 04/04/2018 às 00h43
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
12/03/2018 19h58
SALMO 73:26

Decerrando o dia na certeza de que o amanhã nascerá provido pelas bençãos do Pai. 



 



Salmo de hoje: 73.



Om Shanti 



Publicado por Luana Sávia Aires em 12/03/2018 às 19h58
 
12/03/2018 15h31
SEGUNDA FEIRA

Que não me falte ânimo para vencer as dificuldades

Que não me falte paciência para aturar a impaciência do outro

Que a Mão de Deus me guie em todos os momentos.

 

 Feliz Segunda Feira. Excelente Semana! 


Publicado por Luana Sávia Aires em 12/03/2018 às 15h31
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.



Página 1 de 4 1 2 3 4 [próxima»]